Jean Nicholas Arthur Rimbaud, poeta francês nasceu em Charleville, França, em 20 de outubro de 1854. Aluno brilhante, que se distinguia na composição de versos latinos, foi encorajado nas suas primeiras experiências poéticas pelo seu professor de retórica. A sua personalidade rebelde não o deixaria suportar bem as condições e restrições da vida familiar e provinciana: depois de várias fugas, este menino prodígio, "desembarca" em 1871 em Paris a convite de outro grande escritor: Paul Verlaine. A ligação tumultuosa entre os dois poetas acabaria em drama: Rimbaud é ferido por seu amante Paul Verlaine, que acaba sendo preso por sodomia, num processo iniciado por sua esposa. Rimbaud tornar-se-ia um vagabundo solitário, escrevendo diversos poemas em prosa ("Illuminations”-1874-1876), e acaba por partir em 1880 para Aden, na África.
O poeta extremamente precoce escreveu toda a sua temática poética em apenas 2 ou 3 anos, mais precisamente entre os 15 e 18 anos. Depois disso parte para a África a fim de se dedicar às atividades mercantis. Após o período de catarse e explosão escrita, Rimbaud nunca mais escreveria um verso. Durante dez anos, o poeta erra pelo deserto, da Etiópia ao Egito, tendo cessado completamente de escrever e abandonando-se a todo o tipo de comércio. Repatriado para França para tratar o tumor no joelho de que padecia, amputar-lhe-iam uma perna em Marselha, onde morreria pouco depois, em 10 de novembro de 1891.
Um mau aspecto "absolutamente moderno", o de Arthur. Casaco e calças de ganga coçada, um saco descuidadamente pendurado ao ombro, a pose um pouco para o desleixado, com a marca de uma fadiga imposta pela estrada e pela eterna insolência da juventude. O poeta mais fulgurante dos tempos modernos, aquele cuja obra, para sempre jovem, marcou para sempre a poesia mundial, não foi um homem de letras e passou pela literatura como por outras experiências só para cumprir um secreto desejo que nunca explicou. "Notável passante", tal como lhe chamou Mallarmé, Rimbaud abriu o caminho à poesia nos atos, à vida concebida como uma obra de arte. Esta maneira aventureira e individualista de apreender o mundo assemelha-se a uma maldição, na linha da velha crença que associa os errantes aos pecadores. A vida de Arthur Rimbaud aparece desde logo como uma punição divina, um estágio no inferno. Ela precisa a figura do poeta maldito, essa invenção do século XIX que fez sair a literatura do seu estatuto de prática elegante. Este lado maldito, que faz "da infâmia uma glória, da crueldade um encanto", lança um novo sistema de valores, fundado na subversão (cultural, social, política), numa vivência boêmia que é a antítese da "boa sociedade". A coisa não é nova, mas Rimbaud acelera a desregulamentação. Conhece-se a receita: álcool, drogas, sexo sem freios, proximidade do perigo, todos
pontos cardeais do herói moderno.
pontos cardeais do herói moderno.
Marx pretendeu mudar o mundo. Rimbaud preferiu "mudar a vida". Os filhos de Rimbaud no Quartier Latin eram, pois, "Marx tendência Groucho" ("La vie est Ia farce à mener par tous"). E o rock and roll também. Pela energia que invoca, pela sua rapidez e espírito rebelde, o rock é eminentemente rimbaudiano: juventude, beleza, libertinagem, revolta, menosprezo do perigo, comportamentos suicidas. Viver depressa e morrer jovem. Fred Mercury, Otis Redding, Brian Jones, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, John Lennon, Sid Vicious, Keith Moon, Kurt Cobain, Buddy Holly, Syd Barrett, Jeff Buckley, mas também James Dean, Pasolini, Che Guevara, todos filhos de Rimbaud. Todos cultivaram a imagem das "duas únicas coisas que não podem ser ridículas: um selvagem e uma criança" (Gauguin).

Traço um paralelo existente entre Rimbaud do século XIX e os grandes ícones pop do século XX. Todas as grandes personalidades tinham atitudes subversivas. Parece até que para ser um ídolo, que influencia milhões de jovens pelo mundo, devia-se ser diferente, devia-se ser revolucionário. Os grandes nomes da música, principalmente do mundo do rock são assim. Quase em sua totalidade usam drogas, consomem muito álcool, são revoltados ou homossexuais. Nenhum desses é normal do ponto de vista da sociedade. Isso já caracteriza o legado de Rimbaud que em tempos mais antigos já tinha comportamento semelhante. O que nos leva a pensar é: “O artista sempre foi diferente, ou a fama que o tornou misantropo?”.
Rimbaud será então isso: a idéia de uma pureza fundada na insolência da juventude e da revolta do primitivo. O seu aspecto desalinhado inventa muito antes do nosso tempo o culto atual do adolescente: rebelde, "mau rapaz", eternamente instável.
Era uma vez um cordeiro andando pela estrada. "Leite", pensou o fazendeiro. "A graça de Deus", pensou um religioso. "Um bicho", pensou um passante. "Epifania", pensou James Joyce.
O que pensaria Rimbaud?
Era uma vez um cordeiro andando pela estrada. "Leite", pensou o fazendeiro. "A graça de Deus", pensou um religioso. "Um bicho", pensou um passante. "Epifania", pensou James Joyce.
O que pensaria Rimbaud?


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